Enter Note Done

Session


Sucessivos relatórios divulgados por organizações da sociedade civil, conjugados com a pesquisa social crítica, tem revelado reiteradamente que a mineração e o setor designado como “agronegócio” são os principais vetores responsáveis por uma necropolítica neoliberal contemporânea em desfavor de povos e comunidades tradicionais, cujas táticas incluem cooptação de lideranças, ameaças, silenciamentos, deslocamentos compulsórios, atentados, e por fim, a morte. Os territórios por excelência de aplicação destes dispositivos estão localizados na África, América Latina e Ásia, para onde se deslocam megaempreendimentos com perfil eminentemente reprimarizados, visando produzir commodities em larga escala. O presente resumo se propõe a esboçar uma reflexão acerca da incidência de megaempreendimentos minerais e agropecuários em face de povos tradicionais situados na Amazônia Paraense, especificamente nos territórios quilombolas de Jambuaçu e Nova Betel, localizados nos municípios de Moju e Tomé-Açu, respectivamente, e no Projeto de Assentamento Nazaré, circunscrito em Acará. Os três territórios são afetados de maneira sinérgica e simultânea por quatro megaprojetos: a) minerodutos para transporte de bauxita e caulim provenientes de outras zonas; b) linha de transmissão de energia para dar suporte a atividades eletro-intensivas; c) monocultivos de dendezeiros e; d) traçado da Ferrovia Paraense, em vias de construção, consoante planejamento governamental associado a investimentos privados. Desta forma, se pretende evidenciar a constituição de topografias da morte, em suas várias escalas, resultantes da imbricação de efeitos danosos de múltiplas economias políticas concatenadas para se apropriar de territórios tradicionais.
Tracks
Afrodescendencia: territorios‚ luchas y epistemología